Monday, November 25, 2013

Ares



Se é cedo
seja o que for
a tarde será da viagem.

Ouça o medo
com amor
que ele te dará coragem.

O mar está cheio de mares,
o céu está no meio de ares.

É só mergulhar no vôo,
tudo é sempre quando:

e começa, respirando.

Sunday, October 27, 2013

Tu, nós


Quando o ar se cala

é tempo de dizer

tudo o que o olho vê

ouvir a vida e respirá-la



Quando o ar voa antes

e depois

há dois instantes

que são



Tu, nós



e a respiração.

Friday, September 20, 2013

Rojas



Que a rudeza seja vermelha
e a pureza, ainda mais.

Porque o sol avermelhado,
abre no peito vias vermelhas,
da música que traz.

Porque os céus vermelhos,
são a beleza da sua verdade,
são vermelhos de paz.

Que a fortaleza, seja vermelha,
quando se machucam os joelhos,
que sangram felicidade.

Que seja vermelha a dança,
que seja a centelha, de uma esperança vermelha.

E seja vermelha a saudade
de cada palavra, com a força e a sinceridade,
vermelhas.

Saturday, August 24, 2013

No ar


Quando tudo para
e a vida é tudo
em um abraço.

E quando tudo
é mais um pouco
em um abraço louco.

Mas no dia que falta,
aquele que salta
sem nada, com tudo...

Onde estará o abraço do ar?

Porque é preciso saltar
do céu mais alto
para tudo parar.

A cada pedaço de ar
cada um é um passo
para que a vida seja tudo...

Em um abraço.

Saturday, August 10, 2013

Qualquer tempo



O tempo
não dá tempo de...
de perder tempo e,
esquecer do tempo que,
e lembrar a tempo
do momento
longe daqui...

como se não houvesse tempo em ti.

Para que o tempo, como se,
fosse um tempo de correr
ou de viver,
fosse tempo que esquece
um tempo que desse,
e que dá.

O tempo pra parar
qualquer tempo que há.

Monday, August 05, 2013

Passar



Há águas que passam
se você passar
e os sóis podem sombrear
se você sair de casa...

As folhas se amassam
se você passar
e nós podemos voar
quando consertar a sua asa.

As vidas se sopram,
sem você soprar,
o ar às vezes vaza
e outras vezes passa, a cantar.

Saturday, July 20, 2013

O sangue



O sangue
sou só eu
correndo dentro de mim.

E vertendo eu vi
o quanto corres do fim,
por não ouvir:
um canto, um rugir,
o sangue que sim.

E o quanto o sangue é meu,
por não ser teu
e por sangrar aqui...

O coração gigante além de ti,
para que o sangue, sangre...

É um canto de leão
e um rugido do bem-te-vi.

Friday, May 17, 2013

Instante



Se sozinhos

ou a sós



vi teus olhos em caminhos

sem ouvir tua voz



e soube que há ninhos assim

como tu e a tua foz...



Trazes de mim

um instante de nós.

Saturday, May 11, 2013

Caminhada


Há caminhos, que me andam
me trazem um sol e danças da manhã.

E sozinhos, desmandam 
passos que dou só, andanças da senda vã.

Mas a trilha que ando, 
não tem alegrias de quando:

é o infinito que há, 
com guias de ontem, hoje e amanhã.

É um dia bonito, que não sei ver.

Mas que tem me dito, das passadas que a vista dá 
em mim, em ti, em nós, 
quando nasce a foz 
de ser.

E que a caminhada seja sã.

Tuesday, April 23, 2013

Passadas

Quantos risos
trazem tuas passadas
e os teus juízos?

Quantas risadas,
a vida te traz
se medes a paz
e as vivas passadas,
em agoras que sim
e outros que não?

Rir é aqui, com tudos e nadas
e os agoras alcançados
que houverem em ti,
às risadas que são. 

Sunday, March 31, 2013

Não sei o que



Não há o que dizer.

O ar está entre nós

e nos vemos juntos à sós,

sabendo ver não sei o que

que sabemos o que é

antes do que vamos dizer.

Monday, March 25, 2013

Busco o caminho do meio



Busco o caminho do meio.
Da verdade, quero o aprendizado.

Da alegria, quero a felicidade.

Da infelicidade, quero a tristeza, que ensina.

Da dureza, quero a responsabilidade. E da leveza, a sabedoria.

Da paixão, quero a vida.

Da frieza, a calma.

Do desejo, a força.

Da consciência, a bondade.

E do querer, a honestidade.

Da liberdade, quero o amor.

E do amor, o que eu não sei.

Tuesday, February 05, 2013

Um passo


Um passo
antes de um abraço. 

Muito antes de perto, ou longe, 
muito depois de onde 
e antes de agora, nós fomos embora... 

Como se um passo 
fosse o que há, 
entre o abraço que ficou, 
e o que começou no ar.

Friday, January 18, 2013

Pra cá

São dias que tem a poesia
de um tempo que não passa,
de um corpo que abraça
a quietude de respirar.

E a realidade, está em verdade,
isenta da correria, ou de passar...

O abraço nos segundos, traz o tempo pra cá.

São dias de todos os mundos, com ou sem poesia...

com a realidade de respirar.

Thursday, December 20, 2012

Almoço (ou Fim do Mundo)

Há pouco tempo me disseram que o mundo ia acabar. Com data marcada e tudo. E que, portanto, era preciso resolver questões, definir prioridades, etc. Quase afoito, perguntei que horas eram, franzi a testa, respirei fundo, tomei fôlego, e disse:

- Que fome!

Mas não é que comer seja uma prioridade acima de todas as outras coisas mais importantes, como dormir, relaxar e descansar, quer dizer, não é que eu não dê a mínima para resolver questões ou definir prioridades. É que não se deve ir ao fim do mundo de estômago vazio. A não ser que seja uma comemoração, claro. Aliás, eis aí uma pergunta de fato relevante: o que comer na última refeição?

Quando dizem que o mundo vai acabar, parece que as pessoas finalmente começam a interpretar e entender que nós vamos passar por um fim. Ou, em outras palavras, parece que as pessoas começam a compreender que vamos morrer:

- O mundo vai acabar!! Vai acabar!!

- Po, e eu, que ainda não almocei?!? E já são quatro horas!! Quatro horas!!

Todos nós sabemos que a idéia do fim do mundo marca a urgência de fazer algo importante. Normalmente, algo importante que provavelmente não estávamos fazendo direito: viver. Há muitas razões e explicações para isso, quer dizer, para “não viver direito”. Desde as justificativas mais incontestáveis como “agora não, to no banheiro” até as mais bobas como “tenho que passar no concurso”, cada um tem um jeito seu de se conciliar com a vida que vive.

Por isso é importante que haja o fim do mundo, de vez em quando. De preferência um evento anunciado, claro. Assim surge a idéia de questionar tudo, antes que o mundo acabe... de novo. Ou seja, toda vez que o mundo acaba é um evento muito igual aos outros. Há uma expectativa, uma reflexãozinha aqui, outra ali, depois devem colocar algumas fotos na internet dizendo como esse fim do mundo foi bom. Nada de grandes novidades.

Alguns dias antes do evento, o máximo que pode acontecer é você ter que almoçar às quatro horas da tarde e o atendente da lanchonete parar pra pensar em voz alta:

- Pra onde vamos...? Quem sou eu?

E tudo que você tem que fazer é responder “você é o sujeito que está demorando demais pra trazer meu sanduíche” e refletir que, diante de tamanha fome, se o seu pedido demorar só mais uns cinco minutos o mundo pode realmente ser destruído, antes do previsto.

Por essas e por outras, eu decidi que não vou. Não vou ao fim do mundo. O mundo pode acabar à vontade, as pessoas podem se entreter com isso, mas eu não vou participar. Não é que eu prefira ficar em casa, relaxando ou descansando. Também não sei se o fim está marcado para a hora do almoço, o que me impediria de ir, de qualquer forma.

É que viver é mais importante pra mim. Acredito que estou caminhando pelo aprendizado de viver direito, no tempo que tenho, que é agora. Só agora, com nada mais nada menos do que eu mesmo, é que eu posso continuar vivendo de verdade. Eu, na condição de eu mesmo, ou ainda, “em nível de mim”, estou vivendo, vivendo mesmo, no tempo que está disponível: agora. O daqui a pouco pode até estar quase chegando, mas eu sou o que sou neste momento. E agora o mundo não está acabando.

Acredito sim, que podemos nos iluminar em um instante. Mas na minha forma de ver a caminhada da vida, o fim do mundo não tem muito mais influência do que um almoço atrasado, às quatro da tarde.

Saturday, December 08, 2012

Absurdo



Na padaria:
- Cinco pães, por favor.
- Acabou.
- Acabou o que?
- O pão.
- Mas é um absurdo. Isso aqui é uma padaria.
Depois disso, ele nunca mais foi na padaria. E desde então, passou a desconfiar de tudo e de todos. Na farmácia, entrava só pra perguntar:
- Vocês têm remédio, aí?
Muitos riam, às vezes ficavam perplexos e alguns simplesmente o enxotavam dali, antes que ele incomodasse os clientes. Mas como nunca respondiam se tinham remédios na farmácia ou se tinham cerveja no bar, ele voltou a freqüentar a padaria.
Afinal, era um mundo louco e sem lógica nenhuma, mas pelo menos na padaria levavam ele a sério.
- Tem pão hoje?
- Já é a quarta vez que o senhor pergunta isso.
- Desculpe. É que, sei lá. Podia não ter.

Tuesday, October 30, 2012

Hoje eu vi o dia


A trilha é bonita.
A vida é o que anda até a cachoeira infinita.

E hoje eu vi o dia,
em que um passo nasce:

a melodia toca a respiração 
quando um pouco do infinito 
dá um abraço no caminho,
como se, uma vez ofegante, 
o coração descansasse.

Friday, October 19, 2012

Evasivas


Há pessoas que se caracterizam por uma maestria inconsciente em evasivas. São pessoas que, até onde elas mesmas sabem, estão honestamente dispostas a responder à sua pergunta. Conscientemente, no entanto, as respostas mais simples e diretas parecem realmente não estar disponíveis. Ao tentar se comunicar com elas, é provável que você seja envolvido em algum tipo de trabalho evasivo.
- Que horas você vai chegar?
- Olha, eu pretendo sair e me encontrar com a Ana, a amiga do Vito, porque depois ela já não pode mais, pois ela teve um problema com o Júnior, que aliás, me disse pra te lembrar de passar no banco, aquele que o Flávio te levou, e pegar aquela grana.
Eis então, quando, infelizmente, você pergunta:
- Mas que grana??
E aqui, está iniciado o trabalho evasivo.
- Como assim, “que grana”?? Aquela grana do computador do marido da Lurdes.
Perdido, você logo se irrita com sua própria desorientação:
- Mas que “Lurdes”?!?
 O mestre evasivo, por sua vez, o trata como um interlocutor mais que meramente desatento ou distraído, isto é, como alguém inacreditavelmente desorientado, mesmo:
- Pô, é brincadeira isso?!? A Lurdes!!! Mas como é que você não se lembra da Lurdes?!?!?
Se você não estivesse tão confuso, diria:
- E você, que não consegue nem me dizer que horas vai chegar?!?!?
Mas você está confuso. Faz parte da maestria em evasivas. São várias perguntas sem resposta que, uma vez respondidas, não dizem o que você queria saber, ou dizem o que você não lembra se quer saber, ou dizem o que ainda quer saber mas não lembra o que era; enfim:
- Mas que Lurdes é essa, meu Deus?!?
O outro insiste e diz “A LURDES!!!!”, tentando acordar seus neurônios, ativar sua desfavorecida e inepta memória. Mas antes mesmo de você dizer palavras de baixo calão sobre a Lurdes, o marido dela e o computador dela, o outro faz uma expressão de incompreensão, indignação e desapontamento. Significa que ele realmente não consegue acreditar que você não lembra da Lurdes e que desiste de tentar se comunicar com você, que é obviamente uma pessoa dispersiva demais, desatenta demais, e pouco objetiva para sustentar qualquer diálogo minimamente eficiente:
- Não acredito que você não se lembra da Lurdes!
Neste momento, você junta todas as suas forças para encontrar algum sentido na idéia da convivência pacífica e na realidade daquela conversa evasiva, lembrando então, o que a iniciou:
- Mas, então, afinal, que horas você vai chegar??
- Bom, eu vou ter que sair agora com a Ana e talvez a gente encontre com o Flávio também, por causa do problema dela com o Júnior, que, como eu já disse, foi quem pediu várias vezes pra eu lembrar você de ver aquele assunto do computador do marido da Lurdes.
Quer dizer: nada sobre que horas o outro vai chegar. Tem a Ana. Tem o Júnior. Tem o Flávio, a Lurdes e um enredo que pode até ser interessante. Mas nada que informe realmente sobre que horas o outro vai chegar. Então, enquanto você tenta encontrar um sentido juntando partes de informações inúteis, o outro ainda explica:
- É aquele banco que o Flávio te levou... o Júnior me disse pra te lembrar de passar lá e pegar aquela grana.
E irrefletidamente, você cai de novo na mesma armadilha:
- MAS QUE GRANA!?!?!?
Agora, além de ser uma pessoa desmemoriada e difícil de dialogar, você é comprovadamente uma pessoa incrivelmente rude. Evidentemente pouco acostumada a discussões educadas, civilizadas. O outro faz então, uma expressão de desaprovação, deixa muito claro que é impossível conversar com alguém assim e resolve ir embora.
Contudo, num gesto de caridade com a sua personalidade difícil e desajustada, antes de ir, o outro decide ajudá-lo, isto é, simplificar toda a questão:
- Olha, eu tenho que sair, mas deixa que eu vejo isso aí com a Lurdes pra você, pode deixar que eu falo com ela... Deixa que eu resolvo isso aí. Só me diz uma coisa: a que horas você vai chegar?

Sunday, October 07, 2012

Seja, sempre, entre

Meu grande amor,
esqueça de mim.
Seja...

grande amor,
viva assim,
sempre... 

amor,
sim.
Entre.

Monday, October 01, 2012

Pássaros



Há tantos pedaços de nós,
nós aqui e ali...

E nada desata abraços a sós
em amores que não voam 
por aí.

Os que voam,
são pássaros cantando 
bem antes do sol nascer.

Por aí, soam,
a vida que segue voando, a liberdade de viver.