Sunday, January 13, 2008

Crônicas

Eram muitas crônicas. Papéis amassados. Cabelos amassados, olhos amassados. Tudo parecia amassado. Ele não escrevia mais. Porque queria dizer a ela que... Bom, ele queria dizer a ela que...
Se ele soubesse as palavras, eu poderia escrevê-las aqui. O que ele disse, na verdade, foi que naquele momento, o desperdício do papel não era o mais importante. E em seguida amassou este parágrafo também. Só saiu aqui porque eu resgatei do arquivo “descartados, amassados, desprezados, deletados”. Não é muito, mas é o que ele escreveu, aquele louco. Jogando tudo fora, sempre. Como se nos erros não houvesse algo pra aproveitar.
Mas enfim. Eram muitas crônicas. E muitas delas, amassadas. Muitas. E algumas delas saíam mais amassadas ainda, como esta.

Meu sabiá

Avisto um sabiá
em árvores que a minha vista dá.
E não é longe.
É só olhar e ouvir, o canto soar.

Mas me perguntam, onde está?
Dizem que daqui, não se vê nenhum sabiá.

Mas todos ouvem, por aí, um sabiá cantar.

E se perguntam, onde está?
E eu aponto:
lá.
E se perguntam:
será?

Como se só na minha vista houvesse um sabiá!

Mas não é longe, é só olhar. E ouvi-lo cantar.