Saturday, July 05, 2014

O espírito


Que o presente
seja sempre à vista.
A vida que sente,
a conquista da liberdade.

Ao nascer-do-agora,
haja o coração
e até à morte, a vontade.

Livre de ficar ou de ir embora,
pulse acordada, nas veias que são.

E aqui, na vida,
onde nada falta,


o espírito salta


Ao ar da presença,
cada respiração sentida...

O vôo da liberdade.

A escolha da vista imensa,
diante de toda vida,
de viver...

A realidade.

Saturday, May 17, 2014

Pouso


Esqueço-te,
intensamente
até o infinito.

Voo em liberdade.

E porque amo-te
infinitamente,
o coração bonito
que sente em verdade,

é aqui e nos vôos por aí...

Que sempre pousam na lembrança de ti.

Monday, April 28, 2014

Amo-te


O caminho que vai
entre derrotas e vitórias
tristezas e sorrisos,
que bebe dos paraísos
com o sol de histórias
com a chuva que cai...

Este, quando segue
sem falar dos dias,
entregue à Vida
entre a raiz e o ramo,
soa nas ventanias:

eu amo

E em seguida
toca harmonias que vê,
e que soam:

eu te...

Friday, March 14, 2014

De nós dois



A dois metros de mim
eu encontro tu
a dois passos
do céu azul
a dois abraços
de nós
a dois corpos de eus e tus
estamos a sós
ouvindo a luz.
A poucos segundos de ti,
a dois palmos daqui
estamos um no outro
dançando por aí.
A dois dedos de ar
respiramos um pouco,
livres de antes e depois
o beijo de nós dois.

Wednesday, February 12, 2014

O ar das águas da foz



Tu ficas aí,
me apaixonando,
com esse pouco imenso
que me dás de ti.

És um abraço no quando,
onde voo do que penso
e do que ando,
por ser feliz ali.

E como se não bastasse
o que respiras em nós,
há no mar que me deságuas
o ar que trazes da foz.

Sunday, February 02, 2014

Seguirás

Olha, pela janela,
lá pulsa um dia teu.

Olha, pelos meus ollhos
e se despede
do que não se mede,
leva um pedaço meu.

Olha, pela janela
e vê a vida,
e a ferida
que o caminho amanheceu...

Então olha, para ela,
a vista bela que há de ser
e o passo que há de seu.

Tu seguirás lá por ti
e eu sei que será longe, eu.

Monday, January 13, 2014

Histórias de neurônios



Era um neurônio antigo. A cada gole d’água, ele ativava:
- Glub, glub, glub...
Mas os outros diziam que não, que não era assim. O certo era “glomp”. Não tinha nada que ficar fazendo “glub”. Era “glomp”. Ele franzia a testa e eles tentavam pronunciar melhor: “É glomp! Glomp, glomp, entendeu? GLOMP!!”
Foi aí que ele parou de beber água com os outros. De vez em quando ainda perguntavam:
- Glomp...?
Ele balançava a cabeça negativamente. Reafirmava: “glub”. E continuava com o seu suco de laranja.
Mais tarde discutiram novamente, porque é claro que havia água nos sucos, como os de laranja, então era preciso um meio termo. Pelo menos um “glomb” ou um “glumb”. Mas “Glomb” era complicado, porque era terrível de engolir. E “glumb” só funcionava bem nas goladas rápidas, com muita sede, “glumb-glumb-glumb-glumb...”.
Um dia, finalmente encontraram algo entre o “glumb” e o “glomb”. Mas aquilo deu numa engasgada terrível, que quase matou a todos.
Com o tempo, concluíram que cada sede era uma sede em particular e passaram a se preparar melhor para o caso de terem que improvisar.
Mas até hoje discutem se deveriam realmente permitir o uso do “glamb”.

O tudo


Será que eras
alguém como tu
que ontem eras tudo que és
com o coração todo nu?

Hoje és mais do que consigo sentir.

E que a vida me dê tantos hojes
pra saber o tudo que és em ti.

Wednesday, January 08, 2014

Que eu canto


Em meus passos
havia razões e bobagens,
corações em partidas e chegadas
horários e atrasos das minhas viagens.

E eu fiz desse caos
uma música pra ti.

Os bons ritmos e os maus
me deram notas bonitas,
porque eu te vi.

Mas os passos meus 
foram a pedra artificial
que tão fora dos seus
dançaram afinal,
notas infinitas de uma paisagem
que eu canto na viagem.

Monday, November 25, 2013

Ares



Se é cedo
seja o que for
a tarde será da viagem.

Ouça o medo
com amor
que ele te dará coragem.

O mar está cheio de mares,
o céu está no meio de ares.

É só mergulhar no vôo,
tudo é sempre quando:

e começa, respirando.

Sunday, October 27, 2013

Tu, nós


Quando o ar se cala

é tempo de dizer

tudo o que o olho vê

ouvir a vida e respirá-la



Quando o ar voa antes

e depois

há dois instantes

que são



Tu, nós



e a respiração.

Friday, September 20, 2013

Rojas



Que a rudeza seja vermelha
e a pureza, ainda mais.

Porque o sol avermelhado,
abre no peito vias vermelhas,
da música que traz.

Porque os céus vermelhos,
são a beleza da sua verdade,
são vermelhos de paz.

Que a fortaleza, seja vermelha,
quando se machucam os joelhos,
que sangram felicidade.

Que seja vermelha a dança,
que seja a centelha, de uma esperança vermelha.

E seja vermelha a saudade
de cada palavra, com a força e a sinceridade,
vermelhas.

Saturday, August 24, 2013

No ar


Quando tudo para
e a vida é tudo
em um abraço.

E quando tudo
é mais um pouco
em um abraço louco.

Mas no dia que falta,
aquele que salta
sem nada, com tudo...

Onde estará o abraço do ar?

Porque é preciso saltar
do céu mais alto
para tudo parar.

A cada pedaço de ar
cada um é um passo
para que a vida seja tudo...

Em um abraço.

Saturday, August 10, 2013

Qualquer tempo



O tempo
não dá tempo de...
de perder tempo e,
esquecer do tempo que,
e lembrar a tempo
do momento
longe daqui...

como se não houvesse tempo em ti.

Para que o tempo, como se,
fosse um tempo de correr
ou de viver,
fosse tempo que esquece
um tempo que desse,
e que dá.

O tempo pra parar
qualquer tempo que há.

Monday, August 05, 2013

Passar



Há águas que passam
se você passar
e os sóis podem sombrear
se você sair de casa...

As folhas se amassam
se você passar
e nós podemos voar
quando consertar a sua asa.

As vidas se sopram,
sem você soprar,
o ar às vezes vaza
e outras vezes passa, a cantar.

Saturday, July 20, 2013

O sangue



O sangue
sou só eu
correndo dentro de mim.

E vertendo eu vi
o quanto corres do fim,
por não ouvir:
um canto, um rugir,
o sangue que sim.

E o quanto o sangue é meu,
por não ser teu
e por sangrar aqui...

O coração gigante além de ti,
para que o sangue, sangre...

É um canto de leão
e um rugido do bem-te-vi.

Friday, May 17, 2013

Instante



Se sozinhos

ou a sós



vi teus olhos em caminhos

sem ouvir tua voz



e soube que há ninhos assim

como tu e a tua foz...



Trazes de mim

um instante de nós.

Saturday, May 11, 2013

Caminhada


Há caminhos, que me andam
me trazem um sol e danças da manhã.

E sozinhos, desmandam 
passos que dou só, andanças da senda vã.

Mas a trilha que ando, 
não tem alegrias de quando:

é o infinito que há, 
com guias de ontem, hoje e amanhã.

É um dia bonito, que não sei ver.

Mas que tem me dito, das passadas que a vista dá 
em mim, em ti, em nós, 
quando nasce a foz 
de ser.

E que a caminhada seja sã.

Tuesday, April 23, 2013

Passadas

Quantos risos
trazem tuas passadas
e os teus juízos?

Quantas risadas,
a vida te traz
se medes a paz
e as vivas passadas,
em agoras que sim
e outros que não?

Rir é aqui, com tudos e nadas
e os agoras alcançados
que houverem em ti,
às risadas que são. 

Sunday, March 31, 2013

Não sei o que



Não há o que dizer.

O ar está entre nós

e nos vemos juntos à sós,

sabendo ver não sei o que

que sabemos o que é

antes do que vamos dizer.